EXCLUSIVO – A transformação digital acontece no mercado de seguros de forma dinâmica e natural, seguindo o mercado financeiro. Um dos grandes desafios do setor é garantir que as novidades tecnológicas sejam integradas ao cotidiano das empresas da forma mais natural possível, principalmente para as empresas da era analógica. Para a Pipefy, empresa especializada em automação e orquestração de processos, o principal desafio das seguradoras atualmente é conectar as diversas plataformas já existentes dentro das operações.
Criada em 2015, em Curitiba, a Pipefy atua em mais de 150 países e possui mais de 4 mil clientes. Nos últimos meses, a companhia passou por uma estratégia de verticalização dos negócios e criou uma unidade dedicada exclusivamente ao setor segurador, liderada por João Moreira, gerente da BU de seguros da Pipefy.
Segundo o executivo, o setor não enfrenta um problema de falta de tecnologia, mas sim de integração entre sistemas. “O mercado de seguros não sofre por falta de sistemas. O mercado tem os seus sistemas. O desafio está na conexão entre eles. Um analista de subscrição ou de sinistro trabalha, muitas vezes, com cinco a sete telas diferentes e precisa alternar constantemente entre elas para concluir uma análise. Isso gera retrabalho, aumenta o tempo das jornadas e cria riscos de erros e fraudes”, afirma Moreira.
A proposta da Pipefy é funcionar como uma camada de orquestração capaz de conectar sistemas legados, plataformas externas, bases de dados, ferramentas antifraude e canais de comunicação, centralizando a operação em um único fluxo de trabalho. “A Pipefy passa a ser essa camada que conecta todos os sistemas utilizados pela seguradora. Nossa premissa não é substituir sistemas legados, mas automatizar toda a jornada entre eles”, explica.
A companhia já possui clientes no mercado segurador, entre eles Icatu, Porto, Suhai, Justos, Darwin Seguros e Simple2u, além de corretoras, consultorias e entidades de proteção veicular. De acordo com Moreira, um dos projetos desenvolvidos para uma operação de sinistros automotivos trouxe resultados expressivos. “Conseguimos reduzir em mais de 45% o tempo de análise de sinistros e diminuir em cerca de 70% o retrabalho da equipe. Além da eficiência operacional, isso ajuda as seguradoras a atenderem as novas exigências regulatórias relacionadas ao prazo de atendimento e relacionamento com segurados e corretores”, destaca.
A demanda é mais evidente nos segmentos de grande volume transacional, como seguros de automóveis, vida, garantia e fiança locatícia. Segundo o executivo, são operações que exigem rapidez, padronização e capacidade de processamento de grandes quantidades de informações.
Corretoras também ampliam produtividade
Além das seguradoras, corretoras de diferentes portes vêm adotando a tecnologia da empresa para automatizar processos comerciais e administrativos. Entre os casos citados pela companhia está o de uma corretora de Goiânia que utilizou a plataforma para automatizar o processo de cotação e gestão de apólices.
“Em aproximadamente quatro meses de projeto, conseguimos ampliar em sete vezes o pipeline comercial da corretora. O processo de cotação, que antes levava cerca de dois dias, passou a ser concluído em aproximadamente 15 minutos”, relata Moreira.
Segundo ele, a automação permite que os corretores enviem documentos e informações por canais digitais, enquanto a plataforma realiza integrações automáticas com sistemas de multicálculo, CRMs e demais ferramentas da operação.
Embora a automação seja frequentemente associada a operações de grande volume, a Pipefy também tem encontrado espaço em segmentos mais especializados, como o mercado de resseguros. Recentemente, a empresa concluiu a implementação de um projeto em uma resseguradora, cujo principal benefício não foi o ganho de escala, mas o fortalecimento da governança e da auditabilidade dos processos.
“Quando falamos de operações de grandes riscos, a necessidade de governança, auditoria e rastreabilidade pesa muito na tomada de decisão. Mesmo sem um volume elevado de transações, existe uma demanda importante por controles e conformidade”, afirma.
Para os próximos anos, a companhia aposta na evolução da chamada orquestração agêntica, conceito que combina automação de processos com agentes de inteligência artificial. Moreira acredita que a IA não substituirá profissionais de seguros, mas assumirá tarefas repetitivas e operacionais, liberando os especialistas para atividades de maior valor agregado.
“Não enxergamos a inteligência artificial como um exterminador do futuro. Acreditamos em agentes de IA executando tarefas repetitivas, integrando sistemas e apoiando processos regulatórios, enquanto o ser humano atua de forma mais qualificada na tomada de decisão, seja na subscrição de riscos ou na análise de sinistros”, afirma o executivo da Pipefy.
Na visão de Moreira, o futuro da transformação digital no setor não passa pela aquisição de novos sistemas, mas pela capacidade de conectar os que já existem. “O futuro do seguro não é mais um sistema para o analista acessar. O futuro está na orquestração entre os sistemas já existentes e na forma como essas plataformas se conectam para criar jornadas mais eficientes”, conclui.
Kelly Lubiato






