Ultima atualização 22 de maio

O seguro além do produto: quando a distribuição define a jornada do consumidor

Por muito tempo, o mercado de seguros concentrou seus esforços em aprimorar produtos, desenvolvendo coberturas mais abrangentes, sofisticando cláusulas e tornando processos mais robustos. Apesar de importante, hoje esse movimento não é mais suficiente. Agora, o diferencial competitivo deixou de estar concentrado apenas no produto e passou a estar, de forma definitiva, na distribuição em escala. 

Para acompanhar essa mudança do setor, surge a necessidade de integrar produtos de proteção de forma simples e alinhada à jornada do consumidor. O seguro prestamista, antes restrito ao crédito bancário tradicional, passa a acompanhar essa transformação, fazendo parte dos novos hábitos financeiros e de consumo no país ao ganhar tração em canais alternativos de distribuição.

Segundo dados da Susep, os produtos de proteção ao crédito cresceram 24% entre as seguradoras independentes no último ano, um sinal claro de que estão cada vez mais próximos da rotina do consumidor através do crescimento do embedded insurance. Ao eliminar barreiras tradicionais de distribuição, o modelo permite que qualquer plataforma digital se torne um canal de distribuição desses seguros, escalando a operação. 

Esse movimento acontece em um contexto econômico que exige atenção. De acordo com o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série histórica, equivalente à 82,8 milhões de pessoas. O comprometimento da renda chegou a 29,7%, sendo 10,63% destinados apenas ao pagamento de juros. É um retrato de um Brasil que opera cada vez mais no limite do orçamento. E quando quase metade da renda está comprometida com dívidas, qualquer evento inesperado, como uma demissão, doença ou acidente, pode ser suficiente para desestruturar as finanças de uma família inteira.

Para o setor de seguros, esses dados reforçam uma tendência que já vinha se desenhando: a demanda por proteção cresce porque a necessidade é real. Os produtos de proteção financeira já deixam de ser um custo adicional para atuar como uma camada de previsibilidade e proteção do crédito. É aí que entra o papel das fintechs e das plataformas digitais na distribuição.

À medida que a oferta de seguros se torna cada vez mais contextualizada na jornada do consumidor, fintechs, varejistas e plataformas digitais passam a ocupar esse espaço de forma natural, integrando o seguro ao crédito e à rotina financeira do usuário, adicionando uma camada estratégica dentro de ecossistemas de pagamento. Esse cruzamento entre e-commerce e o crédito digital desempenha um papel fundamental, ao remover barreiras e burocracias do mundo físico e migrar 100% para o online. Em alguns cliques, crédito e seguro estão disponíveis a uma parcela da população que antes não tinha acesso à segurança financeira.  

No entanto, apesar de já avançarem de maneira significativa sobre pagamentos e crédito, movimentando cerca de US$ 650 bilhões por ano e crescendo a um ritmo 3,5 vezes superior ao das instituições financeiras tradicionais, a presença de seguros nas fintechs ainda é inferior a 1%, segundo relatório global da McKinsey & Company em parceria com a QED Investors, publicado em abril deste ano.

Esse “gap” evidencia uma oportunidade de crescimento do embedded insurance, especialmente na América Latina, onde o segmento cresce 43% ao ano, impulsionado por crédito e inclusão financeira. Um exemplo dessa nova abordagem é o seguro de despesas essenciais, recentemente lançado no mercado, que apoia o cliente no pagamento de contas básicas em situações de perda de renda ou morte.

Ao ir além da proteção de uma dívida específica, esse tipo de solução amplia o papel do seguro prestamista, reforçando sua função social de preservar a estabilidade financeira quando a renda falha. Mas, ao olharmos para os cerca de 130 milhões de brasileiros da classe C, o desafio deixa de estar no acesso e se concentra na relevância contínua do produto e na fidelização do segurado.

O futuro da proteção será definido por quem conseguir combinar distribuição, dados e contexto para gerar valor real e recorrente na vida do cliente. O prestamista já provou que pode ocupar esse papel protagonista. Agora, cabe ao mercado decidir quem irá liderar essa relação ao longo da jornada financeira e quem ficará restrito a proteger o crédito sem vínculo com o consumidor.

*Luciana Amano, vice-presidente de Massificados da Prudential do Brasil.

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