Ultima atualização 26 de maio

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IA reorganiza operação de corretoras no WhatsApp

Luis Alberto (Bebeto) Nogueira, Lucca Buffara, Leticia Schettino, Pedro Nobrega, Marcos Franco, Mayana Rosário (1)
Luis Alberto (Bebeto) Nogueira, Lucca Buffara, Leticia Schettino, Pedro Nobrega, Marcos Franco, Mayana Rosário (1)

EXCLUSIVO – Cotações, envio de documentos, dúvidas sobre coberturas, renovações, cobranças e boa parte do relacionamento entre clientes e corretores passaram a acontecer dentro do aplicativo nos últimos anos, ou seja o o mercado segurador já migrou para o WhatsApp. . O problema é que a operação das corretoras nem sempre acompanhou essa transformação. Em muitas empresas, processos críticos seguem espalhados entre conversas individuais, celulares pessoais e tarefas manuais, criando gargalos operacionais, perda de produtividade e dificuldades de gestão.

É nesse cenário que começa a avançar uma nova onda de ferramentas de inteligência artificial voltadas à organização operacional das corretoras. A Segura, startup focada em infraestruturas de IA para o mercado segurador, ampliou sua atuação no WhatsApp com o lançamento do Conversas, uma solução integrada à assistente inteligente com o nome de “Helena” e desenvolvida para estruturar atendimentos, automatizar interações e centralizar fluxos operacionais dentro do principal canal de comunicação utilizado pelos corretores.

“O cliente já está no WhatsApp, o corretor já está no WhatsApp, mas a tecnologia que apoia essa operação ainda não acompanhou essa realidade. Muitas corretoras passaram a operar processos críticos dentro de conversas soltas, sem histórico estruturado, sem automação e sem visibilidade de gestão”, afirma Luís Alberto Nogueira, CEO e cofundador da Segura. Segundo ele, a percepção surgiu quando a companhia passou a acompanhar mais de perto a rotina operacional das corretoras. “O problema não era criar um novo canal. Era levar inteligência para o canal onde o trabalho já estava acontecendo”, completa.

A mudança ocorre em um momento em que o WhatsApp passou a assumir, na prática, uma função próxima à de um CRM informal dentro das operações das empresas do setor. O aplicativo concentra grande parte das interações comerciais e operacionais da distribuição, mas ainda opera, em muitos casos, de forma descentralizada e pouco estruturada.

“O corretor recebe dezenas ou centenas de mensagens por dia, de clientes em diferentes momentos da jornada. Quando tudo isso fica disperso em conversas individuais, é muito fácil perder prazos, deixar oportunidades passarem, repetir tarefas e depender demais da memória de cada pessoa”, comenta Luís.

Além do impacto operacional, a descentralização também cria riscos comerciais e de governança para as corretoras. Na visão do executivo, renovações podem ser perdidas por falta de acompanhamento, informações importantes ficam dispersas entre atendimentos e parte do relacionamento com o cliente pode até sair junto com funcionários que deixam a empresa. “Seguro é um produto complexo, que exige cuidado na comunicação. Quando cada atendimento acontece de forma totalmente descentralizada, fica mais difícil garantir consistência, registrar informações e acompanhar a qualidade do serviço”, frisa.

A proposta do Conversas é justamente estruturar essa camada operacional dentro do WhatsApp. A ferramenta permite centralizar os atendimentos em um único número corporativo, com classificação por tags, organização de equipes e histórico consolidado das interações. Integrada ao sistema da Segura, a Helena consegue acessar informações de apólices, materiais comerciais, condições gerais e dados operacionais cadastrados pela própria corretora para apoiar os atendimentos.

Na prática, a IA atua em tarefas recorrentes da rotina operacional, como qualificação de leads, organização de conversas, cobrança de documentos, acompanhamento de propostas, dúvidas iniciais, renovações e direcionamento de demandas. “A Helena foi desenvolvida para o contexto do mercado de seguros, entendendo a rotina de corretores, os fluxos operacionais e as demandas típicas desse setor. Ela cuida da parte manual e repetitiva do trabalho, permitindo que o corretor concentre energia onde realmente gera valor”, diz o executivo.

Na visão da Segura, a adoção da ferramenta já começa a produzir impactos concretos na operação das corretoras que utilizam o sistema. Hoje, mais de 90% das mensagens enviadas em operações com uso registrado do módulo já são geradas pela IA. Nos últimos 30 dias, esse índice chegou a aproximadamente 94%. A companhia fomenta ainda que, em operações mais ajustadas, a Helena inicia respostas em cerca de 24 a 36 segundos, reduzindo filas de atendimento e diminuindo a dependência de disponibilidade imediata das equipes comerciais.

Apesar do avanço da automação, a companhia afirma que a proposta não é substituir o papel do corretor dentro da jornada comercial, mas reorganizar a operação para que o profissional consiga atuar de forma mais consultiva. “A IA pode ir muito longe na parte operacional da jornada, mas ela não substitui a confiança. E confiança é a base do trabalho do corretor. O corretor continua sendo central porque seguro envolve contexto, orientação e relacionamento”, destaca.

O avanço da inteligência artificial dentro do WhatsApp também levanta discussões sobre limites operacionais, supervisão humana e riscos de interpretação em produtos complexos como seguros. Segundo a Segura, a Helena opera com bases estruturadas e utiliza informações das condições gerais das seguradoras e dados cadastrados pelas próprias corretoras, buscando reduzir respostas fora de contexto. “Seguro é um mercado regulado, técnico e cheio de nuances. Por isso, a IA não pode operar como uma caixa-preta nem substituir critérios profissionais em temas sensíveis”.

A estratégia da companhia ganhou reforço após a Segura ser selecionada para o WhatsApp AI Startups Hub, programa da Meta voltado para startups brasileiras com aplicações de inteligência artificial. Segundo a empresa, a Segura foi a única representante da indústria de seguros escolhida para a iniciativa.

Para o CEO, todo esse movimento demonstra uma transformação estrutural no sistema de distribuição de seguros. “O WhatsApp tende a continuar sendo uma das principais infraestruturas de relacionamento do setor, porque ele já está profundamente incorporado ao comportamento de clientes e corretores”, analisa.

Na avaliação do executivo, a tendência é que a rotina operacional do corretor se torne menos manual e mais orientada por inteligência operacional nos próximos anos. “Hoje, em muitas corretoras, o WhatsApp ainda funciona como uma grande caixa de entrada desorganizada. Nos próximos anos, ele deve se tornar uma camada muito mais inteligente da operação, conectada a sistemas, dados, automações e assistentes de IA”, conclui.

Nicholas Godoy

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