Ultima atualização 19 de março

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Mulheres ainda são minoria na liderança no seguro

Uma pesquisa recente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), em parceria com a Sou Segura, mostra que as mulheres representam cerca de 55% da força de trabalho no mercado de seguros, mas ocupam apenas 1% dos cargos de alta liderança (C-Level).

Para Elisabete Prado, presidente da Delphos, esse descompasso está associado a fatores estruturais e culturais que ainda limitam a ascensão feminina no setor. “Do ponto de vista estrutural, parece haver um funil ao longo da carreira. As mulheres conseguem superar a barreira de entrada e avançam em número, mas encontram obstáculos na progressão para posições estratégicas, especialmente nas áreas tradicionalmente mais valorizadas para o C-Level, como negócios, finanças e operações”, afirma a executiva. Segundo ela, também há menor exposição a redes de influência e a oportunidades críticas de visibilidade.

No campo cultural, a executiva aponta a persistência de vieses — muitas vezes inconscientes — relacionados ao perfil de liderança esperado. Características historicamente associadas a homens ainda tendem a ser mais reconhecidas como padrão, o que impacta os processos de promoção.

Outro ponto destacado é a conciliação entre responsabilidades profissionais e pessoais, que ainda recai de forma desproporcional sobre as mulheres. “No meu ponto de vista, não se trata de falta de competência ou preparo, mas de um conjunto de barreiras que precisam ser conscientemente enfrentadas pelas organizações”, diz.

Na Delphos, as mulheres representam 31% do quadro de colaboradores. Para Elisabete, o avanço da equidade deve ser tratado como uma agenda estratégica, e não apenas como uma pauta de diversidade. “Mais do que uma questão de representatividade, a busca da equidade é fundamental para o fortalecimento institucional e para a competitividade no longo prazo. Além disso, ambientes mais diversos tendem a ser mais adaptáveis e resilientes”, afirma.

A executiva também destaca que a presença feminina em posições de liderança impacta diretamente a qualidade da governança, a inovação e a sustentabilidade das organizações. “Isso fortalece a gestão de riscos — um aspecto central no mercado segurador”, pontua. Segundo ela, o setor de seguros tem avançado no tema em comparação com segmentos mais tradicionais da economia, impulsionado por iniciativas institucionais e programas de desenvolvimento de lideranças femininas.

Para que o avanço seja mais consistente, Elisabete defende que as ações deixem de ser pontuais e passem a ser estruturadas e mensuráveis. Entre as medidas apontadas estão o desenvolvimento intencional de lideranças femininas, com programas de mentoria e capacitação, a revisão de critérios de promoção e sucessão e a definição de metas claras de diversidade. “Mais do que iniciativas isoladas, é necessário um compromisso consistente da liderança das organizações, com ações que efetivamente impactem a cultura e a forma como as decisões são tomadas”, conclui.

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