Durante processo judicial que se arrasta desde 2022 sobre uma dívida de R$ 7,4 milhões após a compra do grupo que deu origem à Kovr Seguradora pela família Vorcaro, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, chegou a oferecer em troca do desbloqueio de seus bens um seguro da Kovr no valor de R$ 9 milhões.
Vorcaro entrou como garantidor da aquisição e, como houve inadimplência, a Justiça mandou bloquear bens do ex-banqueiro no valor de R$ 5 milhões. Ele então apresentou, como substituição ao bloqueio, uma apólice de seguro garantia judicial da Kovr, de R$ 9,2 milhões.
O produto seria a garantia de pagamento da dívida enquanto o processo corre na Justiça sem uma solução. Ou seja, a devolução do valor só aconteceria, de fato, após o trânsito em julgado. A apólice tinha validade até agosto de 2027. A ação ainda segue na Justiça.
Em sua decisão, o juiz Antonio Carlos de Figueiredo Negreiros, da 7ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou o pedido de Vorcaro de substituição da penhora pela apólice, dizendo que já havia naquele momento (agosto de 2022) condição de satisfação da execução da dívida, ao menos em relação à parte incontroversa, que eram os R$ 5 milhões.
A briga ainda continua na Justiça sobre o índice de correção monetária dessa dívida.
Consultada sobre o processo, a assessoria de Daniel Vorcaro disse que não vai comentar.
ENTENDA A DISPUTA
O caso que resultou na determinação de penhora de bens remonta a 2017, mas a briga judicial acontece desde 2022 na 7ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Conforme o Painel S.A. noticiou, a Alliance Participações, empresa que tem o pai e a irmã de Daniel Vorcaro como sócios, comprou em 2017 participação acionária na Segpar Participações do fundo Hermes Capital Semente e da NPF Participações, comprometendo-se a pagar R$ 5 milhões.
Com a aquisição, a empresa de Henrique Moura Vorcaro (pai de Daniel) e Natalia Bueno Vorcaro Zettel (irmã do ex-banqueiro), passou a deter o controle da Segpar, com 77% das ações, enquanto os outros 23% eram detidos pelo fundo Hermes.
O principal ativo da Segpar era o Grupo InvestPrev, que atuava nas frentes de seguros, capitalização e previdência. Foi esse grupo que, posteriomente, deu origem à Kovr Seguradora.
A Kovr foi vendida pouco antes da liquidação do Master, que aconteceu em novembro do ano passado.
Posteriormente à aquisição da Segpar pelos Vorcaros, o fundo Hermes liquidou sua participação, que foi sucedida pela NPF Participações. Nesse momento, segundo consta no processo, houve alteração no contrato de compra e venda da Segpar pela Alliance e Daniel Vorcaro entrou como garantidor da aquisição, que ainda não havia sido quitada.
A ação judicial diz que, em 2020, a NPF Participações sofreu liquidação voluntária, e o acionista Luiz Eduardo Franco de Abreu passou a figurar como seu sucessor, assumindo como credor da Alliance na compra do controle da Segpar.
Franco de Abreu foi CEO, na década de 1990, do BRB (Banco de Brasília) e, posteriomente, nos anos 2000, do braço de investimentos do Banco do Brasil. Ele ingressou com a ação para pleitear o pagamento da dívida em 2022, à época calculada em R$ 7,1 milhões.
Após uma longa disputa judicial que se arrasta desde então, Daniel Vorcaro teve R$ 5 milhões bloqueados referentes à garantia que deu na compra da participação da Segpar em 2017.
Para garantir o pagamento do remanscente da dívida, hoje no valor de R$ 2,4 milhões, que diz respeito à correção monetária e multa, a Justiça determinou, em novembro de 2025, que fossem penhorados bens nessa soma da Alliance.
CRÉDITO DE CARBONO
Conforme a Folha noticiou, a Alliance, uma sociedade anônima fechada, também foi usada pela família Vorcaro para investir em um projeto bilionário irregular de créditos de carbono realizado sobre terras públicas e baseado em valores inflados, sem lastro na realidade do mercado.
A reportagem mostrou, com base em documentos, que os Vorcaros estão envolvidos desde a origem no plano de explorar esses créditos em uma área da Amazônia, por meio da alavancagem financeira realizada com fundos da administradora Reag.
Dois fundos sob gestão da Reag tiveram seu patrimônio reavaliado porque duas empresas das quais eles eram acionistas foram turbinadas em mais de R$ 45,5 bilhões com a geração de carbono advinda de uma área pública da União na Amazônia, o que é irregular.
Fonte: Folha




