Ultima atualização 26 de janeiro

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“Não vendemos sonhos, acreditamos na construção sólida”, diz CEO da Pier Seguradora

EXCLUSIVO – O ano de 2026 começou com mudanças na estrutura de comando da Pier Seguradora. No dia 16 de janeiro, a companhia anunciou Camila Kataguiri como CEO, encerrando o modelo de co-gestão mantido desde 2023 com o fundador Igor Mascarenhas. A decisão ocorre em um momento de transformação do ecossistema de insurtechs, marcado pelo fim da lógica de crescimento acelerado a qualquer custo e por uma cobrança crescente do mercado por eficiência operacional, disciplina técnica e governança mais robusta.

Com faturamento de R$ 250 milhões em 2025, crescimento anual de 60% e uma base superior a 180 mil clientes, a Pier construiu sua trajetória focada em seguros massificados, como celular e automóvel, linhas tradicionalmente marcadas por alta sinistralidade e maior exposição a fraudes. A chegada da executiva ao comando da companhia, após uma trajetória iniciada em 2022 como COO, apresenta uma nova transição da empresa para um estágio de maior maturidade operacional e estratégica:

Revista Apólice – Você assume agora o comando integral da Pier. Como foi essa transição do modelo de co-gestão e o que muda na forma de conduzir a empresa no dia a dia?

Camila Kataguiri: A sucessão na Pier foi cuidadosamente planejada pelo fundador, Igor, com o objetivo de construir um legado que fosse além de sua própria gestão. Entrei inicialmente como COO e, depois, assumi a posição de co-CEO, período em que me consolidei como sucessora natural.

Ao longo desse tempo (dois anos), o modelo de co-gestão funcionou muito bem, com papéis claramente definidos e uma visão estratégica compartilhada. Agora, a Pier entra em uma nova fase, marcada por maior maturidade e estruturação da companhia.

Foram quatro anos construindo a empresa juntos, garantindo alinhamento de valores, cultura e missão. Precisávamos acreditar na mesma tese e elaborar uma estratégia clara de onde queríamos chegar. Portanto, não há disrupção com a mudança; há continuidade, uma empresa ágil, que sustenta um ciclo de crescimento acelerado de forma saudável, com gestão forte e execução consistente e eficiente, sem perder o brilho nos olhos de fazer mais, fazer melhor, desafiar o status quo e manter nosso pioneirismo e liderança, construindo fortalezas por meio de tecnologia e inteligência artificial.

Revista Apólice – A Pier fechou 2025 com resultados muito positivos. Quais foram os principais fatores que permitiram esse crescimento e como isso orienta a meta ambiciosa de avançar mais de 50% em 2026?

Camila Kataguiri: Encerramos 2025 com um faturamento de R$ 250 milhões e um crescimento de 60%, resultado direto de uma estratégia bem executada ao longo do ano. Entre os principais impulsionadores estão a evolução das nossas tecnologias proprietárias, com uso intensivo de dados e inteligência artificial para subscrição, precificação e prevenção a fraudes, além da melhoria contínua da experiência do cliente, cada vez mais instantânea, e de uma gestão de risco mais eficiente.

Também tivemos expansão no canal corretor, no qual levamos o seguro de celular, um produto extremamente consolidado para ser comercializado por meio desses profissionais, que hoje somam mais de 5 mil dentro da nossa plataforma. Além disso, realizamos lançamentos importantes, como o Pier Scan, agente proprietário de seguro automotivo capaz de realizar vistorias em até um minuto, sem nenhuma intervenção humana, seguindo o mesmo formato do nosso Pier Bolt, agente que hoje paga um terço dos sinistros de celular de forma instantânea, com um Pix em segundos na conta bancária, sem burocracia e de forma disruptiva.

Esse conjunto de avanços nos dá segurança para projetar a continuidade dessa expansão consciente, com crescimento na ordem de 50% em 2026, sempre com foco em sustentabilidade técnica, rentabilidade e escala. Aqui na Pier, não vendemos sonhos: acreditamos no poder da construção sólida, porque estamos aqui para mudar o relacionamento das pessoas com seguros.

Revista Apólice – Falando em crescimento, você acredita que ele virá mais de novos produtos, da ampliação de canais de distribuição ou do aprofundamento da base de clientes que já confiam na Pier?

Camila KataguiriO crescimento deve vir de um equilíbrio entre esses três pilares. Temos uma base de clientes muito engajada, que confia na Pier e tende a ampliar o relacionamento conosco. Ao mesmo tempo, seguimos atentos a oportunidades de novos produtos e parcerias de distribuição que façam sentido dentro do nosso modelo digital e tecnológico, sem perder o foco na qualidade da operação.

Acreditamos em entregar as melhores propostas de valor para os nossos clientes e, por isso, nos dedicamos a escalar os produtos atuais sem perder qualidade. Em 2026, o crescimento ainda será majoritariamente impulsionado por esses produtos. Dito isso, não há dúvidas de que a Pier lançará novos produtos no curto e médio prazos.

Revista Apólice – Crescer rapidamente em um setor como seguros envolve riscos. Como você equilibra expansão acelerada com rentabilidade e sustentabilidade técnica, especialmente em produtos mais sensíveis a sinistros?

Camila KataguiriO equilíbrio vem do uso inteligente de tecnologia e dados. Nossas decisões de crescimento são sempre guiadas por análises técnicas profundas, modelos proprietários de precificação e uma leitura constante da carteira, apoiada por agentes de monitoramento.

Preferimos crescer de forma consistente, ajustando rapidamente o produto e a operação quando necessário, em vez de buscar volume a qualquer custo. Utilizamos dados comportamentais para reduzir fraudes, estimativas de mercado indicam que cerca de 20% dos sinistros no Brasil apresentam risco de fraude e tecnologia para automatizar processos operacionais, reduzindo drasticamente o custo de servir e melhorando a experiência do cliente de forma digital e instantânea.

Hoje, cerca de 30% das nossas vistorias prévias não têm nenhum tipo de intervenção humana. Em vez de dias de processamento ou envio incorreto de fotos, o cliente realiza tudo em minutos e já segue com a apólice emitida.

Atualmente, temos a melhor margem técnica do mercado, uma métrica relevante para avaliar a rentabilidade do produto, considerando sinistralidade e despesas de comercialização. Isso demonstra, de forma concreta, que nosso crescimento é sustentável.

Revista Apólice – mercado brasileiro ainda é dominado por grandes seguradoras. Onde você enxerga que a Pier realmente consegue se diferenciar e competir de forma única?

Camila KataguiriA Pier nasceu digital, o que nos permite inovar com mais velocidade, personalizar ofertas e tomar decisões profundamente orientadas por dados e inteligência artificial. Somos pioneiros no uso de IA em toda a jornada do seguro, da contratação ao reembolso, com agentes proprietários desenvolvidos internamente para tornar a experiência do cliente mais simples, rápida e sem burocracia.

Outro diferencial é o nosso modelo de negócio flexível, que permite preços mais justos e maior transparência para o consumidor. Operamos também com uma lógica de melhoria contínua, em que produtos, coberturas e fluxos são constantemente ajustados com base no comportamento real dos usuários.

Temos uma obsessão genuína pela experiência do cliente, especialmente nos momentos mais críticos, como o sinistro, quando a promessa do seguro precisa se concretizar. É nesse ponto que conseguimos entregar agilidade e previsibilidade, reduzindo atritos e aumentando a confiança.

Hoje, mais de 180 mil clientes confiam na Pier e, em apenas um ano de atuação no canal corretor, já contamos com mais de 5 mil profissionais cadastrados na plataforma, incluindo grandes brokers e corretoras do país.

Acreditamos que há espaço para todos. O mercado brasileiro é gigantesco e ainda pouco penetrado. Gostamos de pensar que provocamos o mercado a ser melhor para clientes e parceiros. Quando entramos no mercado de celular e fomos a primeira seguradora a cobrir furto simples, ouvimos que iríamos quebrar. Mas essa era uma dor real do cliente. Hoje, grande parte do mercado oferece essa cobertura, o que mostra que estamos, sim, mudando o relacionamento das pessoas com os seguros.

Revista Apólice – A tecnologia e a inteligência artificial são pilares do modelo da Pier. Como essas ferramentas já estão transformando a operação e impactando a experiência do cliente hoje?

Camila KataguiriA inteligência artificial está presente em praticamente toda a jornada do seguro na Pier, da precificação e subscrição à prevenção e gestão de sinistros. Esse uso intensivo de dados e IA permite processos mais rápidos, menos burocráticos e preços mais justos, além de uma experiência muito mais fluida para o cliente.

Um exemplo é o Pier Scan, agente proprietário de seguro automotivo que utiliza visão computacional e modelos de IA para realizar vistorias em até um minuto. Outro destaque é o Pier Bolt, tecnologia que automatiza o reembolso do seguro celular e permite o pagamento em menos de um segundo.

Essas soluções geram ganhos relevantes de eficiência operacional e ajudam a Pier a escalar com qualidade, mantendo controle técnico do risco. Mas a IA na Pier vai além de funcionalidades visíveis ao cliente. Ela faz parte da cultura da empresa.

Todos os funcionários são treinados para usar IA, têm acesso a ferramentas e respiram dados. Todas as áreas criam seus próprios agentes especializados para automatizar rotinas do dia a dia, enquanto agentes mais complexos, como o Pier Bolt, contam com apoio direto das áreas de dados e tecnologia e geram impacto significativo no P&L.

Revista Apólice -Ao mesmo tempo, tecnologia e automação podem criar distanciamento. Como a Pier garante que o uso intenso de IA e processos digitais não comprometa a relação com o cliente?

Camila KataguiriPara nós, a tecnologia não substitui o cuidado humano; ela o potencializa. Automatizamos o que é operacional para que o time possa se dedicar ao que realmente importa: apoiar o cliente em momentos sensíveis.

No sinistro, por exemplo, usamos IA para agilizar processos, mas mantemos canais claros e equipes preparadas para acolher, orientar e resolver. Na Pier, a tecnologia trabalha para que possamos ser cada vez mais humanos.

Hoje, temos um NPS em torno de 80, somos referência no Reclame Aqui e uma parcela relevante da nossa aquisição ocorre por meio do programa Member Get Member, em que os próprios clientes indicam a Pier a amigos e familiares.

Revista Apólice – Com o Novo Marco Legal do Seguros, que mudanças operacionais e de compliance foram mais desafiadoras para a Pier?

Camila KataguiriSem dúvida, por atuarmos com produtos massificados como celular e automóvel, nossa complexidade em relação ao Marco Legal não é a mesma de outras seguradoras. Ainda assim, a Pier nasceu com DNA de transparência e com a proposta de “tirar o segurês”, tornando os processos mais claros, rápidos e simples para os clientes. Por isso, não tivemos que realizar grandes adaptações, pois já operávamos alinhados a esse pensamento desde a origem.

Revista Apólice – Considerando o papel ampliado dos corretores no novo marco regulatório, como você enxerga a evolução da venda de seguros digitais no Brasil?

Camila KataguiriEstamos apenas no início da nossa expansão no canal corretor e ficamos muito honrados com a receptividade, construída com transparência, confiança e proximidade.

Os seguros digitais já são uma realidade para os corretores, que têm cada vez mais produtos para oferecer. A Pier seguirá como referência entre as seguradoras digitais, abrindo espaço para outras iniciativas, porque há mercado para todos.

Vemos corretores cada vez mais digitalizados, inclusive grupos consolidados investindo em tecnologia e buscando soluções melhores para a experiência dos seus clientes. A Pier está aqui para apoiar esse movimento.

Revista Apólice – Olhando para o futuro, qual é a sua visão de longo prazo para a Pier?

Camila KataguiriNão se trata apenas de um slogan. É uma missão. Queremos mudar o relacionamento das pessoas com seguros, aproximando as seguradoras dos clientes e mostrando que seguro é paz de espírito.

Acreditamos que, por meio de tecnologia e IA, vamos transformar radicalmente jornadas e experiências. É com dados que aumentaremos a penetração de seguros no Brasil e atenderemos um público que não aceita processos não digitais ou esperar 30 dias para receber um sinistro.

Revista Apólice – Qual foi o maior desafio pessoal ao assumir a liderança da Pier?

Camila Kataguiri Podemos ter inúmeros selos, diplomas e um networking invejável, mas não seremos bons líderes sem investir em uma profunda jornada de autoconhecimento.

Entender nossos gatilhos, vieses e limitações é essencial. CEOs mais jovens tendem a querer ser bons em tudo. Um mentor me ensinou que o caminho é conhecer bem nossos pontos fortes, aprofundá-los, e nos cercar de pessoas especialistas naquilo em que não somos tão bons. Liderança não é fazer tudo sozinha.

Revista Apólice – Por fim, como você enxerga o papel da liderança feminina no mercado de seguros e que mensagem gostaria de deixar para outras mulheres que aspiram crescer nesse setor?

Camila KataguiriA representação feminina em cargos de liderança no mercado segurador ainda precisa avançar. Se quisermos que a indústria seja um polo de atração de talentos de alto nível, precisamos repensar sua cultura, especialmente para atrair as novas gerações.

Assumo esse cargo com senso de responsabilidade e esperança de abrir portas para mais mulheres. Diversidade melhora a capacidade de entender clientes e inovar — isso já está comprovado por estudos. Minha mensagem também vai aos homens em posições de poder: eles têm um papel fundamental na mudança cultural do setor.

Nicholas Godoy, de São Paulo.

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