Ultima atualização 02 de abril

Conscientização do consumidor é desafio no mercado

Osvaldo Nascimento fala das expectativas de novos planos de previdência privada e evidência preocupação com educação financeira da população

O cenário econômico brasileiro na atualidade deixou a desejar com o crescimento do PIB abaixo do esperado. Embora a queda não tenha sido muito acentuada certamente provocará mudanças no setor de seguros previdência privada no país. Enquanto clima em outros países, como a China que continua em um ritmo acentuado de crescimento, é de estabilidade econômica o Brasil aposta nesse fator para continuar recebendo capital estrangeiro e dando um bom fluxo a esses capitais, já que continua sendo um ambiente seguro para esses investimentos.
Essa situação mundial se reflete no seguro de vida e previdência, conforme foi elucidado pelo presidente da Fenaprevi, Osvaldo Nascimento, em evento ocorrido na última quinta-feira, 27, no Terraço Itália, em São Paulo. Organizado pelo CVG do estado, almoço contou com as perspectivas do executivo em relação ao crescimento do setor. Partindo de uma grande vantagem brasileira atualmente, o bônus demográfico, Nascimento alertou que essa vantagem é passageira e que é preciso utilizá-la com sabedoria nesse momento, para que futuramente ela gere frutos. “A quantidade de pessoas disponíveis ao trabalho já atingiu a faixa máxima. A partir de 2020 a tendência é o declínio”, analisou.
Outro ponto destacado foi que, ainda que existam muitas pessoas em idade economicamente ativa, a escassez de mão de obra qualificada ainda preocupa. Ainda que a renda cresça, a eficiência dessa renda pode decrescer, aumentando o nível de endividamento.
O desfio no momento é conscientizar as pessoas de que essa renda pode ser utilizada de maneira mais proveitosa, que servirá como proteção no futuro. Para realizar esse feito, Nascimento acredita que os meios eletrônicos podem desempenhar um papel muito importante. “O caminho para aumentar a eficácia da distribuição são os meios eletrônicos, que facilitarão a entrega de produtos aos consumidores”, aposta. Esse é um dos temas que a Fenaprevi está tratando com a CNSeg e a Susep atualmente. Também é estudado um seguro de pessoas em regime de capitalização, que já está em análise e Nascimento acredita que será autorizado pela superintendência.
Outro tema em discussão com a autarquia é um seguro de vida baseado nas condições financeiras dos clientes, com um mapeamento e acompanhamento consultivo do corretor. “Em alguns casos, o cidadão compra um produto de vida sem saber o que comprou e quem vende não sabe muito bem o que vendeu”, considera o presidente da federação.
A educação financeira é um ponto de grande importância nessa empreitada. Para Nascimento a educação é o “gargalo” É importante que produtos completos sejam disponibilizados, mas as pessoas precisam estar cientes de sua importância. “Propaganda de produto não faz o mercado crescer, mas a educação do consumidor, sim”, garante.

Desafios para o ramo de pessoas
Em 2013, a previdência enfrentou sua maior crise em 20 anos, com os resgates superando as contribuições, em determinado período. O motivo, segundo Nascimento, foi a volatilidade dos investimentos. “O alongamento na aplicação de recursos torna os investimentos voláteis, porque o Brasil não tem estabilidade na curva de juros de longo prazo”, explicou. Depois que a situação foi contornada no curto prazo, a proposta agora é aprovar junto ao governo regras de alongamento e desindexação para aplicação de recursos em fundos de investimento e em modalidade de renda fixa.
Além do crescimento expressivo do seguro prestamista, acima de 100%, e de outros, como auxilio funeral, o seguro de vida representa quase 50% dos prêmios. Mas, a penetração deste seguro ainda é baixa, o que faz Nascimento enxergar um “potencial astronômico” de crescimento.
O presidente da FenaPrevi reforçou a tese de que a educação é o caminho para o crescimento do ramo de pessoas, juntamente com a simplificação de produtos e da distribuição. Para ele, ainda falta ao mercado visibilidade clara das necessidades dos clientes. “Muitos não sabem que contam com coberturas do INSS e do DPVAT e então não sabem se precisam de coberturas adicionais de morte e de invalidez”, disse.
Segundo Nascimento, a evolução dos projetos relacionados à solvência, em especial regras de alocação de capital, são prioridades do setor para alinhamento com o mercado internacional. “O Brasil tem muito a avançar na dimensão regulatória do setor para continuar um porto atrativo de investimentos”, concluiu.

A.C.
Revista Apólice

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