A utilização de inteligência artificial na regulação de sinistros automotivos tem ampliado as possibilidades de automatização da análise de danos e da elaboração de orçamentos de reparação. A Solera utiliza a tecnologia de Visual Intelligence em sua plataforma Qapter para processar imagens de veículos, identificar avarias e recomendar reparos ou substituição de peças.
A solução combina informações visuais com dados técnicos dos fabricantes e critérios de reparação. A proposta é automatizar etapas de sinistros de menor complexidade e oferecer suporte aos peritos na avaliação de ocorrências que exigem análise especializada.
Segundo Marcelo Picolo, diretor executivo da Solera na América do Sul, o aumento da variedade de modelos e da complexidade dos veículos tem elevado as exigências técnicas sobre os profissionais responsáveis pela avaliação dos danos.
“O aumento da quantidade de marcas e modelos de carros, com a evolução da complexidade dos veículos, ampliou exponencialmente a quantidade de dados e conhecimentos técnicos que um especialista precisa para avaliar e que a oficina precisa para reparar”, afirma.
Automação e apoio à perícia
O Qapter trabalha com dois modelos de operação. Nos sinistros de menor complexidade, o processamento automatizado, conhecido como touchless, permite executar etapas da estimativa sem intervenção humana, conforme as regras previamente estabelecidas pela seguradora.
Já nos casos mais complexos, a inteligência artificial funciona como ferramenta de apoio ao perito, reunindo informações para auxiliar na avaliação dos danos e na definição dos procedimentos de reparação.
A plataforma integra três componentes tecnológicos: o Qapter VIN, utilizado para identificar o veículo e as peças especificadas pelo fabricante; a análise de imagens por inteligência artificial; e uma base de critérios técnicos de reparação, destinada a apoiar o trabalho de peritos e oficinas.
A identificação das características de cada veículo ganha importância diante da evolução de tecnologias embarcadas, como os sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS). Esses recursos utilizam câmeras e sensores que, dependendo do reparo realizado, podem exigir procedimentos específicos de calibração.
Para Picolo, a automação não elimina a necessidade de conhecimento técnico na avaliação dos sinistros. “A inteligência artificial ajuda a gerir essa complexidade e a dar consistência às decisões, mas o conhecimento do perito continua essencial, principalmente nos casos de maior severidade. Nosso objetivo é ampliar a capacidade de atuação desses especialistas e acelerar o processo de atendimento ao segurado”, destaca.
A aplicação dessas tecnologias busca integrar a análise automatizada às decisões dos especialistas, especialmente em um cenário de maior diversidade de veículos e de procedimentos de reparação.







