Ultima atualização 16 de outubro

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Convenção Lojacorr: tecnologia e riscos climáticos ampliam oportunidades

EXCLUSIVO – A inteligência artificial pode aumentar a produtividade das corretoras, facilitar a comercialização de produtos mais complexos e identificar oportunidades de negócios dentro da própria carteira de clientes. Mas, a tecnologia, sozinha, não será suficiente para ampliar a penetração dos seguros no Brasil. Estes temas fizeram parte do primeiro do segundo dia da Convenção Nacional da Rede Lojacorr, mediado pela jornalista Denise Bueno e com a participação de Marcelo Goldman, futuro CEO da Tokio Marine, Nelson Alves, COO da Mapfre, Eduardo dal Ri, presidente do Grupo HDI, Ney Dias, CEO da BradSeg e Edson Franco, presidente da Zurich.

O debate mostrou que, apesar dos avanços tecnológicos e da ampliação do portfólio das companhias, o mercado brasileiro ainda enfrenta uma dificuldade histórica: transformar a necessidade de proteção em contratação efetiva de seguros. Para os participantes, o corretor ocupa uma posição estratégica nesse processo, principalmente por sua capacidade de conhecer o cliente e identificar riscos que nem sempre são percebidos por ele.

Marcelo Goldman, da Tokio Marine Seguradora, destacou que o investimento em tecnologia tem sido determinante para o crescimento das operações e para a melhoria da eficiência das companhias. Segundo o executivo, nos últimos 15 anos a seguradora registrou uma expansão de aproximadamente 800% a 900% da arrecadação, enquanto seu quadro de colaboradores passou de cerca de 1.500 para 2.500 profissionais, crescimento próximo de 70%.

A diferença entre esses indicadores, segundo ele, demonstra como a automação permite ampliar os negócios sem elevar os custos na mesma proporção. “A tecnologia é fundamental, não só para o mercado segurador. Ela permite que as empresas se tornem mais eficientes e isso se traduz em preços mais competitivos”, afirmou.

Uma das aplicações mais imediatas da inteligência artificial está na análise da carteira de clientes. Com o uso de dados, é possível identificar consumidores com potencial para contratar outros seguros, como residencial, empresarial e vida, além de avaliar se as coberturas existentes continuam adequadas às necessidades de cada segurado. Ney Dias, da Bradesco, disse que quando falamos de preço, no Brasil, o seguro residencial ainda é bem barato. “É preciso falar dos riscos e suas consequências. Mostrar os corretores que trabalhavam muito em automóvel mas que encontraram sucesso em outros produtos”.

Mudanças climáticas exigem nova abordagem

Os eventos climáticos extremos também ocuparam espaço importante no debate. Os executivos chamaram a atenção para a necessidade de ampliar a conscientização da população sobre riscos que, até recentemente, eram considerados pouco prováveis em determinadas regiões.

Além das grandes catástrofes, os participantes destacaram o impacto financeiro de ocorrências menores e recorrentes, como vendavais, tempestades, granizo e danos provocados por chuvas intensas. “Temos muita exposição ao risco no Sul, com responsabilidade e ferramentas. As piores catástrofes não sao as maias agudas. As pequenas trazem maior preocupação, como a chuva de granizo em Florianópolis há poucos meses, com R$ 25 milhões de sinistro em um único evento”, exemplificou Eduardo Dal Ri, do Grupo HDI.

Edson Franco, da Zurich, ressaltou o gap de proteção e algumas coberturas que o seguro pode oferecer.  “Nossa missão de alertar os empresários e famílias sobre a importância de se proteger.  As seguradoras estão caminhando para o plano de oferecer serviços para mitigar os riscos. Nos mapeamos os riscos não olhando para o retrovisor, mas para os anos futuros, de acordo com diferentes cenários e o que as empresas precisam fazer para se preparar para que os danos sejam minimizados”.

A discussão também abordou a importância de disponibilizar aos corretores ferramentas de avaliação climática que possam ser utilizadas no atendimento aos clientes, especialmente empresas instaladas em regiões que passaram a apresentar novas exposições.

Para os participantes, o corretor deve incorporar a prevenção à sua atividade consultiva, ajudando o segurado a compreender não apenas quais perdas podem ser indenizadas, mas também quais medidas podem evitar ou reduzir prejuízos. Nelson Alves, COO da Mapfre, pontuou que é ncessário entender o cliente para poder customizar a oferta e oferecer soluções mais aderentes. “Comparando com outros países ainda é possível trazer uma capa de proteção para o nosso país. Quem conhece o cliente são os corretores. A seguradora oferece o conhecimento e a capacidade técnica para permitir que o corretor possa escalar suas vendas”, completou.

Kelly Lubiato, de Curitiba/PR

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