EXCLUSIVO – O Brasil é o quinto país em número de Data Centers no mundo, segundo informou o CEO da Engemon, Fabio Câmara, no evento de lançamento da solução para Data Centers da Axa no Brasil. O evento reuniu corretores de seguros para conhecerem as possibilidades de negócios. O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem, dos serviços de streaming e de uma economia cada vez mais dependente de dados está acelerando a expansão dos data centers. No Brasil, a combinação entre disponibilidade de energia renovável, recursos hídricos e incentivos à instalação desses empreendimentos pode ampliar ainda mais os investimentos. Para o mercado de seguros, esse movimento traz uma nova geração de riscos que começa antes mesmo de o data center entrar em funcionamento. O potencial de crescimento é grande.
“Hoje, o data center é mais do que uma infraestrutura de tecnologia. É uma infraestrutura crítica para a economia digital. Quando falamos em inteligência artificial, cloud, streaming, aplicativos e educação a distância, quase tudo está relacionado a essa economia. Por trás dela, existe uma infraestrutura física que precisa suportar tudo isso”, afirma Arthur Mitke, vice-presidente de Subscrição e Sinistros da AXA no Brasil.
A seguradora estruturou uma solução que Mitke define como um One Stop Shop para Data Centers, reunindo diferentes modalidades de seguros e serviços de gerenciamento de riscos. Em vez de uma única apólice, a proposta é acompanhar as várias etapas do empreendimento, desde o transporte dos equipamentos até a construção e a operação.
A estratégia aproveita a experiência internacional do Grupo AXA com esse tipo de risco, especialmente nos Estados Unidos, e reúne coberturas de transportes, riscos de engenharia, riscos operacionais, cyber e seguro garantia. Na etapa de transporte, por exemplo, o gerenciamento de riscos considera inclusive as operações de carga e descarga dos equipamentos que serão instalados. Para se ter uma ideia, ainda de acordo com Fabio Câmara, um único servidor pode pesar mais de uma tonelada.
Quando um ataque cyber provoca dano físico
Uma das principais novidades está na cobertura de riscos operacionais. A AXA passa a oferecer dentro dessa apólice proteção para danos físicos decorrentes de ataques cibernéticos, o chamado cyber property damage. A diferença está justamente na forma como essa proteção chega ao segurado. Segundo Mitke, coberturas desse tipo já podiam ser encontradas vinculadas ao seguro cyber ou em algumas soluções independentes. Agora, a seguradora incorpora a proteção à cobertura de danos materiais dos riscos operacionais.
“Um ataque cibernético pode gerar um problema nos sistemas dos data centers e acabar provocando um dano físico, como um curto-circuito, um incêndio ou qualquer outro dano material. Isso veio de uma demanda do próprio mercado”, explica.
A solução também contempla os chamados black building tests, testes realizados para verificar a redundância dos sistemas dos data centers. Em uma infraestrutura que precisa permanecer disponível praticamente o tempo todo, a capacidade de manter a operação diante de falhas de energia ou de sistemas é um dos pontos centrais do gerenciamento de riscos.
Outro componente é o seguro cyber, que poderá ser contratado separadamente e inclui a possibilidade de cobertura de E&O Tech. A seguradora também incorporou diferentes modalidades de seguro garantia relacionadas à operação dos data centers, entre elas performance, crédito e proteção para operações de compra e venda de energia no mercado spot.
Sem esquecer a sustentabilidade
O crescimento dos data centers também aumenta a discussão sobre o impacto ambiental dessas estruturas, principalmente pelo elevado consumo de energia e água. Esse aspecto passou a fazer parte da análise da seguradora. A AXA estabeleceu critérios relacionados à eficiência energética, eficiência hídrica, localização dos empreendimentos e certificações de sustentabilidade. A proposta é oferecer condições diferenciadas para projetos que atendam aos requisitos definidos para construções mais sustentáveis.
A solução prevê ainda alternativas para descarte ecológico de componentes, uma questão que tende a ganhar importância à medida que cresce a quantidade de equipamentos instalados e aumenta a necessidade de substituição de servidores e outros componentes tecnológicos.
A lógica da cobertura acompanha também uma característica particular da construção dos data centers: nem sempre é possível separar de forma clara a fase de obras do início da operação. “Quando você está construindo um data center, não espera necessariamente que ele fique totalmente pronto. Algumas etapas são entregues e já começam a se tornar risco operacional enquanto outras ainda permanecem como risco de engenharia”, explica Mitke. Por essa razão, embora as apólices possam ser contratadas separadamente, engenharia e riscos operacionais normalmente caminham juntos.
Para a AXA, o avanço desses empreendimentos abre espaço para o mercado segurador participar não apenas da transferência do risco, mas também de sua prevenção e gerenciamento. Quanto maiores e mais essenciais se tornam os data centers para empresas e consumidores, maior é o impacto potencial de uma interrupção.
Kelly Lubiato







