Ultima atualização 08 de setembro

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Swiss Re vê aumento da complexidade na subscrição de riscos

Catástrofes naturais, expansão dos data centers, responsabilidade civil e tensões geopolíticas estão entre as exposições destacadas pela resseguradora em Monte Carlo
Urs Baertschi, CEO de Resseguros de Propriedade e Acidentes da Swiss Re
Urs Baertschi, CEO de Resseguros de Propriedade e Acidentes da Swiss Re

O avanço das catástrofes naturais, a expansão da infraestrutura ligada à inteligência artificial, o aumento das perdas de Responsabilidade Civil e as tensões geopolíticas devem ampliar a necessidade de proteção e transferência de riscos. A avaliação foi apresentada pela Swiss Re durante o Rendez-Vous de Septembre, em Monte Carlo, às vésperas da próxima temporada de renovações do mercado de resseguros.

A companhia avalia que a maior interdependência entre diferentes exposições também aumenta a importância de dados, modelagem e identificação de acumulações durante a subscrição. “A necessidade fundamental de proteção continua a crescer à medida que o cenário de riscos evolui e se torna mais interconectado. Nossos clientes precisam de mais do que capacidade de resseguro – eles precisam de conhecimento especializado em riscos, dados e soluções que os ajudem a navegar em um ambiente cada vez mais complexo”, afirma Urs Baertschi, CEO de Resseguros de Propriedade e Acidentes da Swiss Re.

As catástrofes naturais permanecem entre os principais fatores de demanda por resseguro. De acordo com a Swiss Re, as perdas seguradas decorrentes desses eventos apresentam tendência de crescimento real de 5% a 7% ao ano, influenciada pela ampliação das exposições, valorização dos ativos e mudanças nos padrões de risco.

Em um ano que acompanhe a tendência de longo prazo, o Swiss Re Institute estima perdas seguradas de aproximadamente US$ 148 bilhões em 2026. Em um cenário de pico, porém, esse montante poderia alcançar cerca de US$ 320 bilhões. Para 2030, uma situação semelhante poderia gerar perdas próximas de US$ 400 bilhões.

Os incêndios florestais aparecem entre os riscos que vêm ganhando relevância. Na Europa, as perdas seguradas decorrentes desses eventos cresceram, segundo estimativas da Swiss Re, entre 8% e 11% ao ano nas últimas décadas. A resseguradora avalia que a expansão de populações e ativos em regiões mais expostas aumenta a necessidade de investimentos em prevenção, adaptação e aperfeiçoamento dos modelos utilizados para avaliar os riscos.

A construção de data centers para sustentar a expansão da inteligência artificial também deve criar novas oportunidades para seguradoras e resseguradoras. O Swiss Re Institute estima que os investimentos acumulados em data centers possam ultrapassar US$ 6 trilhões até 2030. Somente essa infraestrutura pode gerar aproximadamente US$ 91 bilhões em prêmios comerciais acumulados entre 2026 e 2030.

O movimento, porém, também aumenta as concentrações de risco. Os novos complexos reúnem elevados valores em equipamentos e dependem de energia, água, cadeias de fornecimento tecnológico e infraestrutura digital.

Nos Estados Unidos, mais de 40% da capacidade instalada de data centers pode estar localizada em regiões classificadas com risco significativo a muito alto de tornados, segundo modelagem da Swiss Re.

Outra frente destacada pela companhia é a Responsabilidade Civil nos Estados Unidos. As perdas comerciais da modalidade chegaram a US$ 174 bilhões em 2025, segundo a Swiss Re, superando as perdas seguradas globais por catástrofes naturais consideradas pela resseguradora em sua análise mais recente.

A companhia aponta que a manutenção de indenizações judiciais elevadas e as incertezas relacionadas ao ambiente de litígios exigem acompanhamento da severidade dos sinistros, evolução jurídica e maior disciplina na seleção dos riscos.

Geopolítica amplia interdependência

As tensões geopolíticas também entram no radar das renovações. Interrupções nas cadeias globais podem provocar impactos sobre energia, commodities e fornecimento de componentes, além de contribuir para pressões inflacionárias.

Para seguradoras e resseguradoras, esses efeitos podem resultar em custos maiores de reparação e reposição de bens e, consequentemente, aumento do custo dos sinistros. “À medida que os riscos se tornam mais complexos, a subscrição depende cada vez mais da compreensão de como as exposições interagem e onde podem surgir concentrações”, afirma Gianfranco Lot, diretor de Subscrição de Resseguros de Propriedade e Acidentes da Swiss Re.

Segundo o executivo, dados e modelagem serão cada vez mais utilizados para identificar acumulações, precificar exposições e orientar decisões de portfólio diante da evolução dos riscos existentes e do surgimento de novas ameaças.

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