EXCLUSIVO – Quando Leonardo Rodrigues decidiu fundar a BYS, a questão que o movia não era exatamente a falta de produtos no mercado segurador. Era outra. Depois de anos trabalhando com seguros dentro do universo das fintechs, ele chegou a uma conclusão simples: o setor sabe criar produtos. O desafio continua sendo fazer esses produtos chegarem às pessoas. “Seguro é um produto vendido, não comprado”, resume.
A observação parece óbvia, mas ajuda a explicar a origem da startup criada em janeiro de 2025. Antes disso, Rodrigues participou da construção da operação de seguros do Banco Neon. Entrou na instituição para atuar na tesouraria, mas acabou assumindo a frente de novos negócios e liderando a estruturação da área de seguros. Ao longo daquele processo, viu uma operação nascer praticamente do zero e ganhar relevância dentro da companhia.
Foi quando surgiu uma pergunta que não saiu mais da sua cabeça: se uma fintech, cujo negócio principal não era seguro, conseguia gerar resultados relevantes com distribuição digital, por que tantas outras empresas não faziam o mesmo? A BYS nasceu dessa provocação.
Hoje, a empresa trabalha com fintechs, plataformas de software, varejistas e outros negócios que mantêm relacionamento digital com milhões de consumidores. O modelo combina corretagem, tecnologia e operação. Mas Rodrigues faz questão de destacar que a empresa não se limita a fornecer uma plataforma.
“Nossos clientes entram com o canal. A gente assume o restante da operação”, destaca o cofundador e CEO da BYS. Na prática, isso significa participar da negociação com seguradoras, desenhar produtos, realizar integrações tecnológicas e operar o programa de seguros depois que ele entra em produção. Em pouco mais de um ano de atividade, a startup reuniu mais de 40 clientes e alcançou um volume superior a R$ 100 milhões em prêmios anualizados.
O crescimento, segundo o executivo, veio acompanhado de outra percepção: muitas empresas sabem que poderiam gerar receita adicional com seguros, mas não possuem estrutura para transformar essa oportunidade em negócio. “Seguros exigem conhecimento técnico, relacionamento com seguradoras, acompanhamento regulatório e gestão operacional. Para companhias cujo foco está em crédito, recursos humanos, varejo ou tecnologia, criar essa capacidade internamente nem sempre faz sentido”, pondera Rodrigues.
Ele afirma que cada canal possui características próprias. Uma financeira especializada em crédito para veículos, por exemplo, tende a ter mais aderência com seguros automotivos. Já uma plataforma voltada para pequenas empresas pode encontrar oportunidades em produtos de proteção financeira, vida ou assistência. Cada canal tem uma vocação diferente para distribuição”, afirma. Essa visão também influencia o desenvolvimento dos produtos.
Em alguns casos, a adaptação envolve apenas ajustes de cobertura. Em outros, exige repensar completamente a oferta. A empresa trabalha atualmente em soluções voltadas para pequenas e médias empresas e em projetos que buscam levar a esse segmento produtos normalmente restritos a operações corporativas maiores.
Na avaliação do executivo, as seguradoras possuem capacidade técnica e portfólio de produtos. O que muitas vezes falta é a conexão com canais capazes de distribuir essas soluções em escala e dentro de jornadas digitais já consolidadas. É nesse espaço que a startup tenta se posicionar.
A empresa opera em modelo de remuneração baseado na produção gerada. Não cobra taxas de implantação nem de manutenção tecnológica. O resultado financeiro depende diretamente do desempenho dos programas de seguros implementados. Para Rodrigues, essa estrutura cria alinhamento entre todas as partes envolvidas.
Mais do que uma aposta em tecnologia, a tese da BYS é uma aposta em distribuição. O executivo acredita que a expansão do mercado segurador brasileiro passará menos pela criação de novos produtos e mais pela capacidade de inserir proteção financeira em ambientes onde as pessoas já estão presentes. “O desafio não é convencer alguém a entrar em um aplicativo para comprar um seguro. O desafio é fazer o seguro aparecer no contexto certo, quando ele realmente faz sentido para aquela pessoa”.
Kelly Lubiato






