EXCLUSIVO – Em um período de mercado “suave”, em que há excesso de capacidade para cobrir os riscos, os atores do mercado de resseguros brasileiro se reúnem no Rio de Janeiro para encontrar soluções e enfrentar as mudanças simultâneas que ocorrem no setor, mantendo a disciplina técnica em um ambiente de maior competição.
Organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), em parceria com a Fenaber (Federação Nacional das Resseguradoras), o Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro trouxe na abertura Rafaela Barreda, presidente da Fenaber, que reforçou a importância da cooperação entre os diferentes agentes do mercado, lembrando que o resseguro é o mecanismo que permite transformar riscos em oportunidades e viabilizar projetos essenciais para o crescimento do País.
Apesar dos desafios, Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, afirmou ver um ambiente de grandes oportunidades para o mercado segurador e ressegurador brasileiro. Segundo ele, a capacidade de inovação e adaptação do setor será determinante para ampliar a proteção econômica e social no país. “Tenho confiança de que o mercado possui capacidade, vontade e competência para enfrentar essas transformações. Precisamos atuar de maneira cada vez mais conjunta para encontrar soluções e fortalecer a resiliência da economia brasileira”, ponderou.
A economista Fernanda Guardado destacou que as expectativas em torno da política monetária brasileira sofreram alterações ao longo do ano, principalmente diante das incertezas externas e do comportamento da economia. “No início do ano, eu esperava que a taxa Selic pudesse cair até 12%. Hoje temos um cenário diferente, em torno de 13% e ainda existem fatores externos relevantes gerando pressão e incertezas”, afirmou Fernanda Guardado.
Segundo ela, o ambiente internacional também vem sendo marcado por movimentos de diversificação global e por mudanças no comportamento dos investidores. “Nós observamos, desde o ano passado, uma tentativa de diversificação dos investidores globais. Existem muitos choques e muitas incertezas no cenário atual”, acrescentou.
Na visão de Bruno Freire, CEO da Austral Re, o setor opera em um contexto de transformações simultâneas, que vão desde o ambiente político até mudanças tecnológicas profundas. “O cenário hoje é desafiador. Existe um contexto jurídico, econômico, eleitoral e também uma revolução tecnológica em andamento. Ninguém sabe exatamente onde isso vai chegar, mas certamente tudo vai mudar”, afirmou.
Segundo o executivo, o setor também atravessa uma transição de mercado, saindo de um período de condições mais restritivas para um ambiente de maior oferta de capacidade, o que aumenta a pressão sobre resultados técnicos.
Na análise internacional feita por Marc Lipman, presidente do LLoyd’s América, o mercado global aponta excesso de capital e aumento da competitividade. “As posições de capital estão mais fortes do que nunca. Existe excesso de capacidade no mercado e isso naturalmente aumenta a pressão sobre disciplina técnica”, destacou o executivo durante o painel.
Lipman ressaltou que os eventos climáticos mudaram o perfil do risco de catástrofe e deixou o papel do ressegurador ainda mais importante para garantir que os sinistros sejam regulados de forma confiável e com agilidade. “Entretanto, isso deixou de ser suficiente”. Ele deixou claro que é preciso olhar a prevenção do risco e aumentar as coberturas, em um trabalho conjunto entre seguradores, resseguradores e sociedade.
“Os riscos cibernéticos também necessitam de uma atuação conjunta, para dar tranquilidade aos clientes. Quando pagamos um sinistro, o risco já se materializou. O desafio é minimizar os impactos antes dos sinistros acontecerem”, acrescentou Lipman.
Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro, com informações da assessoria de imprensa





