EXCLUSIVO – A entrada da Bradsaúde no Novo Mercado da B3 marcou um novo capítulo na estratégia do Grupo, que consolidou, em uma mesma estrutura, todos os ativos do segmento de saúde da companhia, que envolve a Bradsaúde, Odontoprev, Atlântica Hospitais e Meu Doutor Navamed. A estreia, oficializada na B3 no dia 5 de maio, com o ticker “Saúde3”, sinaliza não apenas um movimento de governança, mas também uma aposta clara na expansão do negócio por meio de sinergias operacionais e ampliação de mercado.
No primeiro trimestre de 2026, a Bradsaúde registrou receitas de R$ 13,4 bilhões e lucro líquido consolidado de R$ 1,3 bilhão, com retorno sobre patrimônio na casa de 25%. A base total alcança 13,4 milhões de beneficiários, considerando os segmentos de saúde e odontológico. A empresa registrou acréscimo de 52 mil vidas nos planos de saúde e 141 mil vidas nos planos odontológicos, alcançando marca superior a 13,4 milhões de beneficiários no País.
Em relação à atuação hospitalar, a Atlântica Hospitais e Participações já soma 20 hospitais no fechamento do primeiro trimestre de 2026, totalizando cerca de 4 mil leitos, além de 39 clínicas da rede Meu Doutor Novamed. O segmento hospitalar representa uma importante frente de crescimento para a Bradsaúde.
O desempenho é impulsionado por uma estratégia que combina escala, diversificação e integração. “Estamos falando do ecossistema mais completo de saúde do mercado brasileiro”, destacou o diretor de Relações com Investidores da Bradsaúde, José Roberto Pacheco.
Crescimento puxado por PMEs e distribuição
Um dos principais vetores de expansão está no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), que vem ganhando relevância tanto na operação de saúde quanto na odontológica. Atualmente, os planos empresariais já superam 3 milhões de vidas dentro da carteira. A estratégia passa pela oferta de produtos mais acessíveis e pela ampliação da distribuição via corretores. “Os corretores são nossos grandes parceiros e continuarão sendo fundamentais para o crescimento da Bradsaúde”, afirmou Carlos Marinelli, presidente, reforçando uma relação histórica de mais de 40 anos com esse canal.
A atuação no segmento PME acompanha uma tendência estrutural do mercado brasileiro, na qual empresas de menor porte buscam soluções de saúde semelhantes às disponíveis para grandes corporações. Esse movimento também já se reflete na Odontoprev, que adicionou cerca de 500 mil beneficiários, totalizando 9,4 milhões de vidas, com forte avanço justamente nesse público.

Com a criação da holding, o grupo passa a operar de forma mais integrada, conectando seguros de saúde, planos odontológicos e ativos hospitalares, como os da Atlântica Hospitais e Participações. A estratégia inclui o desenvolvimento de soluções combinadas. “Hoje já é possível oferecer planos integrados de saúde e dental em uma mesma negociação. Esse tipo de sinergia tende a se intensificar”, sinalizou Marinelli.
“Os investimentos na vertical hospitalar também reforçam essa visão. Com cerca de 4 mil leitos e R$ 4,8 milhões comprometidos, dos quais R$ 2,8 milhões já investidos, a operação hospitalar é considerada um vetor estratégico de longo prazo”, comentou Pacheco durante a coletiva de imprensa.
Outro destaque é a rentabilidade. No caso da Odontoprev, a margem líquida supera 20%, patamar considerado elevado mesmo em padrões internacionais. Já o crescimento histórico da companhia indica expansão consistente, com aumento médio de receita de 15% ao ano ao longo de duas décadas.
Na Bradesco Saúde, os prêmios emitidos ultrapassaram R$ 50 bilhões em 2025, e somaram R$ 13,2 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, avanço de 8% na comparação anual. A estrutura de capital também chama atenção: a companhia não possui endividamento e conta com ativos financeiros de R$ 28,6 bilhões, além de resultado financeiro de R$ 875 milhões no período.
Apesar dos resultados positivos, a companhia adota cautela em relação à sinistralidade. No primeiro trimestre, o índice ficou em 79% na saúde e 32,7% no dental, beneficiado por fatores sazonais, como menor utilização no início do ano.
Executivos alertam, no entanto, para um cenário mais desafiador ao longo de 2026, com aumento de frequência e custos médicos observado no segundo semestre de 2025. “Vemos a sinistralidade com cautela e estamos atuando para mitigar esses impactos”, afirmou Marinelli.
Com a estrutura consolidada, a Bradsaúde passa a focar em três frentes principais: crescimento da base, ganho de rentabilidade e lançamento de novos produtos. A expectativa é que a integração dos ativos permita maior penetração de mercado e aumento da eficiência operacional. A listagem na Bolsa, nesse contexto, funciona como catalisador de uma estratégia já em curso. Mais do que um evento pontual, trata-se de um movimento que reposiciona o grupo no mercado e reforça sua ambição de liderar um modelo integrado de saúde no Brasil.
Kelly Lubiato




