Ultima atualização 08 de outubro

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Swiss Re vê avanço da disputa por clientes de seguros de Vida

Estudo aponta maior responsabilidade individual sobre a renda na aposentadoria, concentração de intermediários e avanço da IA
Velina Peneva, CEO de Resseguros de Vida e Saúde da Swiss Re
Velina Peneva, CEO de Resseguros de Vida e Saúde da Swiss Re

A transferência de parte da responsabilidade pelo planejamento da aposentadoria das instituições para os próprios indivíduos está modificando a distribuição de seguros de Vida e produtos de proteção financeira. A conclusão é do estudo sigma 4/2026, divulgado nesta quinta-feira (8) pelo Swiss Re Institute, que analisa como mudanças nos sistemas previdenciários, a concentração de intermediários e o avanço da tecnologia estão alterando a relação entre consumidores, seguradoras e canais de distribuição.

Segundo o relatório, em mercados como Estados Unidos e Reino Unido, um número crescente de pessoas chega à aposentadoria com a possibilidade de administrar diretamente os recursos acumulados, em vez de depender exclusivamente de uma renda vitalícia garantida. Essa mudança amplia a autonomia financeira, mas também transfere aos indivíduos decisões sobre retiradas, investimentos, herança e financiamento de cuidados na velhice.

Nos Estados Unidos, em um dos maiores planos de previdência analisados pelo estudo, mais da metade dos aposentados optou por retirar e administrar os próprios recursos em 2018, ante apenas 10% em 2000. No Reino Unido, 36% dos ativos previdenciários acessados pelos aposentados em 2024 foram retirados em dinheiro, em vez de convertidos em renda vitalícia.

Para o Swiss Re Institute, esse cenário aumenta a necessidade de orientação financeira antes e durante a aposentadoria, especialmente em decisões que envolvem proteção patrimonial, transferência de riqueza e cuidados de longa duração.

“À medida que as pessoas assumem maior responsabilidade por sua aposentadoria, a orientação confiável se torna mais valiosa. Isso está mudando a dinâmica econômica da contratação de seguros de Vida e aumentando a concorrência no setor”, afirma James Finucane, responsável pela pesquisa econômica de Vida e Saúde do Swiss Re Institute, em tradução livre.

A maior procura por aconselhamento também está modificando a estrutura de distribuição de seguros de Vida. Bancos, consultores e intermediários financeiros ganham importância no relacionamento com consumidores que precisam combinar soluções de proteção, investimentos e renda para a aposentadoria.

O estudo identificou que apenas três grupos de intermediação norte-americanos apoiados por fundos de private equity realizaram mais de 300 aquisições anunciadas publicamente entre 2017 e 2025. As operações envolveram organizações independentes de marketing, agências e grupos de consultoria financeira.

Segundo o relatório, a concentração pode ampliar a capacidade de investimento em tecnologia e suporte aos consultores, além de aumentar a influência desses grupos sobre a comercialização de seguros e produtos previdenciários.

Para as seguradoras, o movimento torna mais relevante o relacionamento com bancos, consultores e distribuidores que já atendem consumidores em fase de planejamento financeiro. O período anterior à aposentadoria é apontado como especialmente importante, pois é quando começam a ser tomadas decisões sobre renda futura, patrimônio e cuidados de longa duração.

IA avança, mas atendimento humano é relevante

A tecnologia também ocupa espaço crescente na distribuição de seguros. O Swiss Re Institute analisou 197 iniciativas de inteligência artificial e outras tecnologias divulgadas por seguradoras globais de Vida e intermediários selecionados. Desse total, aproximadamente 70% estavam concentradas em etapas diretamente relacionadas à experiência do consumidor.

As aplicações incluem ferramentas para explicar produtos, facilitar contratações, oferecer suporte após a venda e auxiliar na regulação de sinistros. Entre os intermediários, a tecnologia também pode reduzir atividades administrativas e apoiar a comparação de soluções e o acompanhamento dos clientes.

Apesar desse avanço, o estudo destaca que o atendimento humano continua importante em decisões mais complexas. Uma pesquisa citada pelo instituto, realizada com quase 3 mil consumidores em sete países, identificou que aproximadamente dois terços preferem a interação com pessoas em transações complexas, como a resolução de sinistros.

Na avaliação de Velina Peneva, CEO de Resseguros de Vida e Saúde da Swiss Re, facilitar a compreensão e o acesso aos produtos será importante para atender às novas necessidades dos consumidores.

“Combinar as capacidades de seguradoras, consultores, bancos e tecnologia pode ajudar mais pessoas a obter a proteção e a segurança financeira de que precisam, quando precisam”, afirma a executiva, em tradução livre.

O relatório conclui que a transformação dos sistemas previdenciários tende a aumentar a importância do aconselhamento ao longo da vida financeira. Para seguradoras e distribuidores, o desafio será combinar ferramentas digitais com orientação especializada, especialmente nas decisões que podem comprometer a segurança financeira dos consumidores por décadas.

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