O avanço de tecnologias como inteligência artificial, drones, sensores e gêmeos digitais está modificando a forma como os riscos das operações de mineração são monitorados e apresentados ao mercado segurador e ressegurador. Na avaliação da Gallagher Brasil, a maior quantidade e qualidade de informações pode favorecer a subscrição e a busca por capacidade para um setor tradicionalmente considerado complexo.
As ferramentas já são utilizadas em diferentes etapas das operações. Drones podem apoiar inspeções em minas a céu aberto, cavas e áreas de disposição de rejeitos e também contribuir para o mapeamento tridimensional de estruturas subterrâneas. Sensores instalados em equipamentos críticos permitem monitoramento contínuo, enquanto gêmeos digitais podem reproduzir virtualmente instalações e simular cenários operacionais.
Além dos ganhos na própria operação, essas informações podem ser utilizadas na apresentação do risco a seguradoras e resseguradoras.
“A adoção de tecnologias como drones para inspeção de estruturas, sensores em tempo real e modelos digitais capazes de simular cenários operacionais oferece ao subscritor uma qualidade e granularidade de informações inéditas. Empresas com gerenciamento ‘on time’ de suas operações garantem maior previsibilidade e demonstram forte capacidade de prevenção e resposta a incidentes, o que atrai um olhar muito mais favorável do mercado segurador”, afirma Cristiane Alves, head de Mineração da Gallagher Brasil.
A qualidade dos dados gerados por esses sistemas influencia diretamente o processo de subscrição e a precificação do seguro. Na prática, mineradoras que comprovam o uso eficaz dessas tecnologias encontram menor dificuldade para obter as condições, limites e capacidades necessários para a proteção de seus ativos.
No entanto, se por um lado a digitalização fortalece a prevenção de perdas físicas tradicionais, por outro, introduz novas variáveis no radar do mercado. A dependência de sistemas conectados, automação e IA amplia a exposição a riscos cibernéticos, falhas sistêmicas e interrupções operacionais decorrentes de incidentes tecnológicos.
Por essa razão, o mercado segurador expandiu o escopo de análise: além dos riscos físicos e estruturais, passa-se a avaliar com rigor a governança tecnológica, a segurança cibernética e a resiliência dos sistemas digitais.
“Essa mudança não significa que as novas tecnologias criem barreiras para a contratação, mas sim que a percepção sobre potenciais interrupções de negócios mudou de acordo com a operacionalização das plantas. A tecnologia está transformando a avaliação de riscos na mineração. Mais do que automatizar, ela fortalece a prevenção de perdas — desde que acompanhada por governança sólida, controle operacional e comprovação efetiva de resultados”, conclui Cristiane Alves.







