EXCLUSIVO – A Acoy, insurtech especializada em tecnologia para seguro-garantia, nasceu para simplificar um seguro que tradicionalmente envolve análise de risco, documentação, limites, diferentes regras de subscrição e sistemas que nem sempre conversam entre si. Desenvolvida a partir de 2018 e lançada comercialmente em 2022, a plataforma reúne atualmente mais de 25 seguradoras e permite realizar em um mesmo ambiente cotações, emissões, endossos, cancelamentos e gerenciamento das apólices.
A ideia surgiu da experiência de Edson Barros, sócio-fundador da Acoy, no seguro-garantia, mercado em que atua desde 1998, com passagens por seguradoras, corretoras e corretoras de resseguros. Depois de também empreender na área de tecnologia, ele decidiu juntar os dois universos.
Naquele momento, as seguradoras já possuíam portais próprios para cadastro e análise de crédito. O problema estava na fragmentação do processo. Cada companhia tinha sua própria estrutura e o usuário precisava navegar por ambientes e procedimentos diferentes. A proposta foi criar um hub capaz de reunir esses sistemas e tornar a operação mais simples.
“Desde o início, imaginávamos que o caminho seria a simplificação dos processos. A ideia era que, em um único ambiente, fosse possível fazer cotações, emissões, gerenciamento, cancelamentos e endossos, respeitando as características de cada companhia”, explica Barros.
Embora tenha uma funcionalidade semelhante ao multicálculo, o executivo ressalta que a plataforma vai além da comparação de preços. O sistema também faz cadastro de tomadores, controle de documentação e acompanha a operação depois da emissão, além de apresentar indicadores como limites e taxas.
A ferramenta atende diferentes participantes da cadeia. O modelo começou sendo testado com grandes corretores e tomadores e, à medida que a tecnologia avançou, passou a ser utilizado também em operações de seguradoras.
Do varejo às operações bilionárias
A amplitude das operações mostra um dos desafios tecnológicos do seguro-garantia. Em um depósito recursal, por exemplo, velocidade e escala são fundamentais. Segundo Barros, determinadas emissões podem ser concluídas em menos de um minuto. Na outra ponta estão operações estruturadas, como execuções fiscais superiores a R$ 1 bilhão ou R$ 2 bilhões, que também podem ser conduzidas pela plataforma.
Para chegar a esse nível de integração, porém, foi necessário lidar com um problema antigo do setor: a diferença de maturidade tecnológica entre as seguradoras. Quando o projeto começou, muitas APIs — interfaces que permitem a comunicação entre diferentes sistemas — atendiam apenas uma etapa da operação. Uma companhia poderia, por exemplo, permitir a emissão digital de um depósito recursal, mas não oferecer pelo mesmo caminho a renovação, o cancelamento ou o endosso.
A Acoy passou então a trabalhar junto às seguradoras para ampliar essas conexões. Nos casos em que a companhia ainda não possuía API, foram desenvolvidos fluxos para permitir sua participação no sistema até que houvesse estrutura tecnológica para uma integração mais ampla.
Essa arquitetura foi considerada ainda na concepção do software. O desenvolvimento se apoiou em três preocupações: segurança da informação, escolha de tecnologias que não se tornassem rapidamente obsoletas e capacidade de conexão com novas soluções. Por isso, o sistema foi estruturado desde o início sobre APIs, o que posteriormente facilitou a incorporação de novas tecnologias, inclusive inteligência artificial. O foco permanece no seguro-garantia, embora a empresa já tenha projetos para outras carteiras.
Se a primeira etapa da transformação digital do seguro esteve concentrada em automatizar tarefas e conectar sistemas, a inteligência artificial pode levar essa mudança diretamente para a análise do risco. Barros acredita que uma das tendências mais importantes será o avanço de modelos capazes de apoiar uma subscrição cada vez mais rápida e preditiva. O movimento, em sua avaliação, não ficará restrito ao seguro-garantia.
“A tendência é termos uma utilização cada vez maior da inteligência artificial, inclusive preditiva, para fazer uma análise de risco em pouquíssimo tempo”, afirma. Para ele, o mercado financeiro oferece uma referência do que pode ocorrer nos seguros, já que o uso de dados para análises preditivas está mais avançado naquele setor.







