Ultima atualização 30 de setembro

A automação como chave para a produtividade no mercado de seguros 

Se você entrar hoje em uma corretora de seguros tradicional no Brasil, é muito provável que encontre profissionais qualificados de vendas dedicando mais da metade de sua jornada a uma tarefa puramente mecânica: copiar e colar os mesmos dados (CPF, chassi, placa, dados de perfis e outras informações) em portais de seguradoras diversas, o mesmo acontece com o time operacional, que perde muito tempo redigitando informações e controlando processos em diversas planilhas espalhadas pela corretora.

Em uma semana padrão de 40 horas, isso significa que mais de 20 horas de trabalho são consumidas por formulários repetitivos. Não se trata apenas de uma drenagem de tempo mas, principalmente, do gargalo para a escalabilidade do setor.  

Essa realidade não é uma exceção, mas a regra do ecossistema nacional. De acordo com o 5º Estudo Socioeconômico das Empresas Corretoras de Seguros (ESECS-PJ), conduzido pela Fenacor, 80% e 90% das corretoras brasileiras são pequenos negócios. Para essas empresas, a gestão do tempo e a baixa produtividade operacional figuram no topo da lista de obstáculos para o crescimento.  

Durante anos, a falta de padronização entre os produtos de mercado criou um cenário fragmentado. Cada seguradora construiu suas próprias regras de negócio, fluxos e portais fechados, transferindo o custo da ineficiência operacional diretamente para o corretor.  

O trabalho manual traz consigo duas penalidades severas no mercado contemporâneo: a lentidão comercial e o risco operacional. Fazer a cotação de um perfil navegando individualmente em diferentes portais consome, facilmente, entre 25 e 40 minutos. Em um mercado altamente dinâmico e digital, a velocidade de resposta tornou-se o principal diferencial de conversão: o corretor que responde ao cliente em dois minutos fecha o negócio antes mesmo que o concorrente consiga abrir a primeira tela de login.  

Além da velocidade, há a questão da segurança. No setor de seguros, a digitação incorreta de um caractere no chassi ou a omissão involuntária de uma informação de perfil durante a correria do preenchimento pode resultar na recusa do pagamento de uma indenização futura. Esse cenário expõe a corretora a litígios de responsabilidade civil e destrói o ativo mais valioso desse mercado: a confiança.  

No passado, apenas grandes corretoras dispunham de capital para erguer infraestruturas de tecnologia complexas e contratar equipes robustas de backoffice. Hoje, o modelo de software como serviço (SaaS) em nuvem e a integração via APIs (e recursos avançados de RPA) mudaram essa dinâmica.  

Atualmente, qualquer corretora de seguros independente do seu porte ou da sua localização, pode acessar o mesmo nível de precisão de multicálculo, velocidade de resposta e inteligência de dados que um grande player que investiu milhões no passado. A tecnologia igualou as condições de disputa e o tamanho físico da empresa deixou de ser barreira de entrada, ao mesmo tempo que a agilidade e a inteligência no atendimento tornaram-se a nova régua competitiva.  

Ainda há desafios de modernização sistêmica e expansão para além do segmento de automóveis, mas as plataformas integradas de gestão e cálculo provam diariamente que a sincronização de dados reduz o tempo de emissão de dezenas de minutos para poucos segundos.  

A resistência que ainda se observa em parte dos pequenos e médios corretores costuma vir do receio da complexidade ou do mito de que a tecnologia virá substituir a intermediação humana. A realidade aponta para a direção oposta onde a tecnologia não veio para substituir o corretor de seguros, mas, sim, o corretor que ainda perde tempo atuando como digitador de formulários.  

O verdadeiro valor do corretor nunca esteve em preencher campos de cadastro em telas isoladas. O valor reside na sua capacidade crítica de avaliar riscos, desenhar proteções patrimoniais customizadas, orientar escolhas complexas, acolher e amparar o cliente no momento sensível do sinistro, o corretor detém a confiança e o relacionamento e isso é insubstituível. Ninguém compra uma apólice por apego a um contrato físico, mas pela busca de segurança e tranquilidade, e isso somente o corretor consegue entregar.  

Ao assumir o trabalho burocrático e repetitivo, a tecnologia devolve ao corretor aquilo que ele tem de mais escasso: o tempo. A corretora do futuro não precisa esperar anos para existir, ela já opera hoje, de forma mais conectada, produtiva e integrada, permitindo que a inteligência artificial e a automação cuidem dos sistemas para que o corretor cuide, exclusivamente, das pessoas e dos negócios. 

*Por Fernando Rodrigues, Diretor de Seguros da Evertec.

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