Ultima atualização 26 de maio

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Infraestrutura digital muda seguro de construção na América Latina

A expansão da infraestrutura digital e o aumento da complexidade técnica dos projetos vêm alterando o perfil de risco do mercado de construção civil na América Latina. A avaliação faz parte do Relatório de Mercado Global de Seguros e Fianças para a Construção 2026, divulgado pela Aon, que aponta a região como um dos mercados em crescimento para o setor nos próximos anos.

Segundo o estudo, o mercado global de construção civil deve avançar de US$ 17 bilhões em 2026 para quase US$ 22 bilhões até 2030. Na América Latina, esse movimento é sustentado principalmente por obras públicas, concessões público-privadas, projetos ligados à transição energética e investimentos em infraestrutura digital, especialmente data centers.

O relatório destaca que seguradoras e resseguradoras passaram a diferenciar os riscos de acordo com a governança dos projetos de infraestrutura digital, avaliando fatores como exposição operacional, qualidade dos dados, estrutura contratual e gestão de riscos ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos.

“A infraestrutura digital está transformando o perfil de risco na construção civil. À medida que os projetos se tornam maiores, mais técnicos e mais críticos do ponto de vista operacional, o foco deve estar na mitigação precoce de riscos, na tomada de decisões apoiada por análises de dados e na concepção de programas que reflitam cada etapa da construção desses ativos e como eles são colocados em operação”, afirmou Paulo Correia de Novaes, Líder de Indústrias para a América Latina na Aon.

O estudo aponta que projetos de data centers passaram a exigir maior atenção do mercado segurador devido ao aumento da demanda energética, necessidade de áreas maiores e riscos relacionados à transição operacional dessas estruturas.

Na América Latina, o levantamento identifica desempenho mais consistente nos mercados de Brasil, Chile, Peru, Panamá e Uruguai, além de recuperação parcial na Colômbia e no México. Ao mesmo tempo, o cenário global de perdas climáticas continua pressionando critérios técnicos de subscrição.

Segundo a Aon, os desastres naturais geraram perdas estimadas em US$ 260 bilhões em 2025, reforçando a necessidade de projetos mais resilientes e de programas de gestão de riscos mais robustos.

A capacidade de resseguro na região segue considerada suficiente, porém mais seletiva. De acordo com o relatório, seguradoras passaram a priorizar operações com fundamentos técnicos sólidos, maior resiliência a catástrofes naturais e padrões mais rigorosos de governança.

Entre as principais tendências apontadas para a América Latina, o estudo destaca maior atenção aos riscos catastróficos nos seguros patrimoniais para construção, especialmente em relação à qualidade técnica dos projetos, normas construtivas, transparência de dados e planejamento de contingências.

No segmento de responsabilidade civil, o mercado segue competitivo, embora com diferenciações conforme setor, jurisdição e perfil de cobertura. Projetos ligados à infraestrutura, energia e mineração seguem entre os mais demandados, acompanhados por maior escrutínio sobre práticas de segurança e histórico de sinistros.

Já em responsabilidade profissional, cresce a demanda por empreiteiros e projetistas especializados em infraestrutura digital e energia. Segundo a Aon, seguradoras passaram a analisar de forma mais criteriosa cláusulas contratuais, atribuição de responsabilidades técnicas e potenciais disputas relacionadas aos projetos.

O relatório também aponta crescimento do uso de fianças como alternativa às garantias bancárias, especialmente para empresas com perfil de crédito considerado sólido. Nesse segmento, seguradoras passaram a ampliar o foco sobre solvência, carteira de pedidos, diversificação e padrões de governança corporativa.

Globalmente, o estudo afirma que o mercado de seguros para construção entrou em 2026 com maior capacidade e ambiente mais competitivo para projetos com gestão de riscos estruturada. Ao mesmo tempo, riscos complexos ou expostos a catástrofes naturais seguem submetidos a critérios rigorosos de subscrição e maior exigência técnica.

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