EXCLUSIVO – Durante o Encontro de Resseguro realizado no Rio de Janeiro, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou, em entrevista coletiva, que a deficiência de informações estruturadas sobre eventos climáticos foi apontada como um dos gargalos do mercado brasileiro. Ele contou que está sendo preparado um documento para encaminhamento à Susep com o objetivo de incluir dados climáticos no Sistema de Registro de Operações (SRO). “Hoje, o SRO não consegue identificar se um sinistro ocorreu por enchente, alagamento ou vendaval. Você não consegue identificar sequer se foi um evento climático que causou aquele sinistro”.
Além da ausência de dados históricos estruturados, outro desafio apontado por Dyogo é a limitação de modelos preditivos de longo prazo. Segundo ele, o Brasil possui bons sistemas para previsões meteorológicas de curto prazo, mas ainda carece de ferramentas capazes de antecipar cenários climáticos com horizonte de seis a 18 meses. “Existe uma demanda crescente da sociedade por proteção contra riscos climáticos. Não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Essa é uma grande oportunidade para o mercado”, afirmou.
Quanto ao projeto relacionado ao seguro rural, a expectativa do setor é positiva. Dyogo informou que a proposta da CNseg apresentada aos Congresso possui três pilares centrais: impedir o contingenciamento dos recursos de subvenção, estruturar o Fundo de Estabilização do Seguro Rural e ampliar a troca de informações para formação de bases de dados. “No ano passado tínhamos R$ 1 bilhão previsto no orçamento para subvenção ao seguro rural e metade foi contingenciada. O que já era pouco, tornou-se insuficiente”, lamentou.
Sobre a integração entre seguradoras, resseguradoras e corretores, Dyogo disse que o avanço na relação ocorre de forma prática e progressiva. “As soluções vão sendo criadas caso a caso. Existe um diálogo permanente entre as empresas para criar produtos e soluções”, disse. Para o executivo, que é um dos anfitriões do Encontro de Resseguro, fortalecer mecanismos de cooperação será essencial para ampliar a capacidade de proteção do mercado brasileiro diante de um ambiente de riscos cada vez mais complexo e interdependente.
Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro





