Ultima atualização 07 de julho

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Seguro de carga cresce com a chegada de datas comerciais

Alta nas operações do varejo intensifica riscos logísticos e demanda maior atenção das transportadoras com coberturas adequadas

Com a chegada do segundo semestre, o setor de transporte e logística já se prepara para o aumento expressivo na movimentação de cargas, impulsionado por datas comerciais como o Dia dos Pais, Dia do Cliente, Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Esse aquecimento representa oportunidades de negócio, mas também acarreta riscos operacionais que não podem ser ignorados.

De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), os roubos de carga movimentaram R$ 528,9 milhões em indenizações apenas em 2024, um crescimento de quase 11% em relação ao ano anterior, configurando o segundo maior volume dos últimos cinco anos.

O aumento da criminalidade reflete diretamente na demanda por proteção: o segmento de seguros contra desvio de cargas arrecadou R$ 1,4 bilhão no ano, com alta de 27,1%. Só no primeiro semestre, os prêmios emitidos ultrapassaram R$ 628 milhões. “Esse crescimento nas indenizações é um reflexo direto do aumento da exposição logística em períodos de alta demanda. Com mais cargas nas estradas e centros de distribuição operando no limite, o risco de incidentes também cresce. É um movimento que já observamos há alguns anos, mas que tem se intensificado,” explica João Paulo, CEO da Mundo Seguro, corretora especializada em seguros para o setor de transporte.

Com mais de 10 anos de experiência, a Mundo Seguro acompanha os períodos críticos para o setor e aponta que os pedidos por apólices e sinistros crescem no segundo semestre, com aumento de cerca de 40% nos meses que antecedem a Black Friday e o Natal. “É comum que as condições e garantias de seguro entrem só na reta final do planejamento logístico, como uma exigência para embarque. Mas o ideal seria tratar o seguro como parte do desenho da operação, considerando perfil de carga, rotas e tipo de exposição. Isso permite montar coberturas mais eficientes e evitar lacunas,” orienta.

Os riscos também estão mudando. Um estudo recente da nstech aponta que 45,2% dos roubos ocorreram no período noturno, um salto expressivo em comparação aos 15,6% no mesmo intervalo de 2023. Essa mudança no padrão de atuação dos criminosos exige atenção redobrada com gestão de risco.

“Nos últimos anos, temos observado que as quadrilhas estão mais especializadas. Elas estudam horários, rotas e fragilidades logísticas. O roubo à noite, por exemplo, explora a redução de vigilância e o cansaço dos condutores. Por isso, o seguro precisa vir acompanhado de protocolos operacionais claros e integração com ferramentas de monitoramento,” avalia João Paulo.

Além da segurança patrimonial, há também mudanças legais que tornam a proteção obrigatória em muitos casos. A Lei 14.599/2023, por exemplo, determina que transportadoras devem adotar coberturas específicas e integrar tecnologias como rastreamento e controle operacional.

Para João Paulo, a legislação atual foi criada para profissionalizar a gestão de risco no transporte de cargas. Isso inclui não apenas contratar um seguro, mas garantir que ele esteja adequado ao tipo de operação. “Seja para evitar perdas financeiras, atender às exigências legais ou manter a reputação do negócio, proteger a operação é um passo necessário para quem pretende crescer com segurança. Muitas empresas ainda estão em fase de adaptação, por isso o papel do corretor se tornou mais técnico e menos comercial,” conclui o executivo.

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