Ultima atualização 21 de maio

IA agêntica pressiona empresas por nova governança digital 

Kleber Bacili e Marcilio Oliveira - Foto divulgação
Kleber Bacili e Marcilio Oliveira - Foto divulgação

EXCLUSIVO – Os desafios da inteligência artificial comandada por agentes ficam cada vez mais evidentes. Este foi um dos destaques da 11ª edição do APIX 2026, evento promovido pela Sensedia, em São Paulo, que reuniu executivos de tecnologia, representantes do setor financeiro, especialistas em integração digital e lideranças de empresas ligadas aos mercados de serviços financeiros, saúde e seguros.

O evento demonstrou que o mercado entrou em uma nova etapa da digitalização corporativa, na qual o desafio deixou de ser apenas conectar sistemas e passou a envolver controle, rastreabilidade e governança sobre agentes autônomos capazes de executar processos de negócio de forma independente. “O desafio agora não é apenas disponibilizar dados, mas garantir que agentes de IA os utilizem com segurança, governança e previsibilidade de custos”, afirmou Kleber Bacili, CEO da Sensedia. Segundo ele, a aceleração da adoção de agentes inteligentes vem obrigando empresas a rever modelos operacionais, integrações e estruturas tecnológicas construídas originalmente para interação humana. “As empresas estão discutindo como automatizam processos e repensam jornadas usando agentes. E o agente se comporta de forma muito diferente de um humano”, destacou.

A empresa também anunciou a expansão de sua atuação para um modelo de AI Gateway, estrutura voltada à gestão e governança de agentes de inteligência artificial, múltiplos modelos de IA e ambientes multi-cloud. A proposta, segundo a companhia, é criar uma camada centralizada capaz de controlar acessos, monitorar custos, rastrear interações e garantir maior previsibilidade operacional em ambientes corporativos cada vez mais orientados por IA. “Se o API Gateway foi o centro da conectividade empresarial na última década, o AI Gateway surge como a camada de controle para um mundo agêntico”, comentou Bacili.

Em entrevista, Marcilio Oliveira, cofundador e CGO da empresa, destacou que o mercado segurador está entre os principais focos estratégicos da companhia e vem sendo diretamente impactado pela evolução das arquiteturas abertas e da inteligência artificial. Segundo ele, seguradoras passaram nos últimos anos por uma jornada de modernização baseada em APIs, Open Insurance e integração de ecossistemas digitais, movimento que agora avança para uma nova etapa marcada pela atuação de agentes autônomos. “O mercado de seguros vive de análise de risco. Então a preocupação agora é como garantir uma infraestrutura segura, auditável e governada sem perder o ritmo da inovação”, disse.

Marcilio também avaliou que o Open Insurance ainda enfrenta resistência de parte do mercado, especialmente entre corretores e empresas mais tradicionais, mas afirmou que o modelo tende a ampliar competitividade e abrir espaço para novos produtos e canais de distribuição. “O modelo de Open é disruptivo do ponto de vista de competitividade. Ele dá mais poder para o cliente final porque o dado passa a ser dele”, disse. Segundo ele, empresas que conseguirem utilizar dados, APIs e inteligência artificial para criar produtos mais personalizados e jornadas mais fluidas tendem a ganhar espaço nos próximos anos. “O mercado segurador tem um potencial gigantesco de cocriação de produtos e distribuição em múltiplos canais. E agora muitos desses canais passam a ser operados também por agentes autônomos”, explicou.

O executivo também destacou que o avanço da IA dentro do setor exige preocupação crescente com segurança, governança e rastreabilidade no consumo de dados, especialmente em mercados regulados como seguros e serviços financeiros. “O que levamos dez anos construindo para APIs, provavelmente vamos ver acontecer em doze meses no universo dos agentes”, afirmou. Segundo ele, o AI Gateway apresentado pela companhia busca justamente criar uma camada de controle para evitar cenários de “Shadow AI”, nos quais o uso descentralizado e não monitorado de inteligência artificial passa a gerar riscos operacionais, custos imprevisíveis e vulnerabilidades de segurança dentro das empresas.

Nicholas Godoy, de São Paulo

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