O sistema de consórcios segue em trajetória de expansão no Brasil e se cresce como uma das principais alternativas ao crédito tradicional em um cenário de juros elevados e maior seletividade bancária. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o setor atingiu 12,78 milhões de consorciados ativos no início de 2026, um crescimento de 12,4% em relação ao ano anterior, o maior patamar já registrado.
As vendas de cotas somaram 476,8 mil apenas no período analisado, enquanto os créditos comercializados alcançaram R$ 43,15 bilhões, alta de 23,7% na comparação anual. Esses números reforçam a força de um modelo que vem ganhando relevância como instrumento de planejamento financeiro no país.
A tendência é de continuidade desse movimento. Projeções da própria ABAC indicam crescimento de aproximadamente 11% para o sistema de consórcios em 2026, sustentado pela diversificação do perfil dos consumidores e pela busca por alternativas mais previsíveis de aquisição de bens e serviços.
Na prática, o consórcio deixa de ser apenas uma solução pontual e passa a ocupar um papel estratégico na organização financeira de famílias e empresas. Em um ambiente de crédito mais caro e restrito, a modalidade se destaca por permitir o acesso a bens de maior valor sem a incidência de juros, o que amplia seu apelo entre consumidores mais conscientes.
Para Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, esse crescimento reflete uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro diante das decisões financeiras. “Hoje, o consórcio deixou de ser visto apenas como uma alternativa ao financiamento e passou a ser utilizado como ferramenta de planejamento. As pessoas querem previsibilidade, controle e menor exposição ao custo do crédito, e o consórcio atende exatamente essa demanda”, afirma.
O movimento também acompanha mudanças no perfil do consumidor como o perfil de jovens e novos investidores que têm aderido ao modelo como forma de organizar projetos de médio e longo prazo, enquanto empresas utilizam o consórcio para aquisição de ativos e expansão com menor impacto no fluxo de caixa.
Além disso, segmentos específicos apresentam desempenho ainda mais acelerado. O consórcio imobiliário, por exemplo, tem previsão de crescimento superior a 25% em 2026, impulsionado pela busca por formação de patrimônio e diversificação de investimentos.




